Mais TaKeTiNa na revista Vida Simples

Depois de uma reportagem só sobre TaKeTiNa, dessa vez a querida jornalista Liane Alves entrevistou Reinhard Flatischler, criador da TaKeTiNa, para a matéria “Aprenda a ouvir”, na revista Vida Simples de abril, nas bancas por todo o Brasil.

Estou bem feliz pois essa edição deu espaço para todos os meus professores: Lama Padma Samten, Reinhard Flatischler e Lu Horta.

Além das fotos, deixo também os trechos em texto.

Lu Horta e a boa escuta

“O controle da fala revela muito sobre você mesmo”, me diz com sua voz doce e melodiosa Lu Horta, cantora, compositora e professora de canto paulista que ensina as pessoas a… escutar. Seu trabalho é mais com músicos e cantores, mas inclui gente comum também. Formada em música pela Unicamp, com especialização em cantoterapia segundo a concepção antroposófica e outros cursos nessa área, Lu lembra como nossa vida emocional está ligada à fala e à escuta. Quem é ansioso demais vai sempre interromper o outro, e o timbre de sua voz e a sua respiração traduzirão a ansiedade. Quem é egocêntrico, não deixará espaço para o que a pessoa que está à sua frente possa falar. “Se eu estiver centrado apenas em meus interesses, não conseguirei me abrir para o que está além de mim”, diz ela com dedução irreprensível. Escutando mal, nos tornamos restritos, limitados, impacientes. Mas quem começa a se dedicar a ouvir com mais atenção, experimenta o prazer de ser mais calmo, acolhedor, aberto e generoso.

“A escuta mais atenta abre espaço interno para que o outro é e deseja”, diz Lu. É ar puro que entra, uma janela aberta. Por um momento saímos de nós mesmos, de nossos interesses e opiniões, de nosso mundo, para conhecer a outra pessoa, e escutá-la como quem bebe um copo de raro vinho. É um dos grandes presentes que se pode dar para alguém. E um dos dons mais preciosos que se pode receber do outro. Dos 12 sentidos imaginados pelo austríaco Rudolf Steiner, o criador da antroposofia, a audição pertence ao grupo mais elevado deles, o que tem estreita relação com a alma, o pensamento e a consciência.

Lu Horta lembra de algo muito importante: “O primeiro órgão dos sentidos a se formar no bebê dentro do útero é o ouvido. Escutar é uma das nossas primeiras experiência no mundo: ouvimos a corrente sanguínea da mãe, sua voz, nosso batimento cardíaco. E tudo isso nos acalma profundamente”. Tanto que hoje existem CDs no mercado que reproduzem esses sons para o recém-nascidos. “Ouvir é extremamente prazeroso para o ser humano”.

Reinhard Flatischler e nosso pensamento compulsivo

Estamos eternamente em diálogo, num bate-papo infinito com nós mesmos, que alguns também chamam de monólogo interno. É a mente do “macaco louco”, na expressão de Yongey Mingyur Rinpoche, monge do budismo tibetano e autor do livro Alegria de Viver. Ela é agitada, inquieta, pula de um assunto a outro sem parar, de galho em galho.

“O diálogo interno também pode ser descrito como “pensamento compulsivo”. É um estado em que os nossos pensamentos nos comandam, repetindo a si mesmos centenas de vezes sem nunca conseguir chegar a outro patamar”, diz Reinhard Flatischler, percussionista austríaco que pesquisou durante anos temas como ritmo e silêncio em vários países do mundo. Para nos livrar dessa mente conturbada, ele oferece uma alterntiva: “Saindo conscientemente do pensar para um espaço mais sensorial, para o sentir, nós podemos romper o círculo vicioso e trazer um espaço interno que nos permite abrir e nos afastar desse tipo de pensamento”.

“Ao sentir mais o corpo de uma forma relaxada, seremos capazes de entrar nesse estado silencioso em que muitas coisas de nossas vida se revelam por si mesmas”, afirma Reinhard. “Reconhecer que estamos num estado de pensamento compulsivo, e praticar a transição do estado de pensamento compulsivo para um sentir meditativo, é a chave de um diálogo interno com mais significado para nós mesmos”.

E ele vai além. Propõe não a polaridade do cheio versus vazio, mas a vivência de ambos estados ao mesmo tempo. “Viver em polaridades pode trazer uma constante dicotomia: agir ou escutar, fazer ou não fazer, por exemplo”, diz ele. Para vivenciar essas posibilidades ao mesmo tempo ele criou um método, a TaKeTiNa, em que pessoas em roda dançam, cantam e se abrem para o poder transformador do ritmo. “Ali você estar falando sílabas ritmícas enquanto escuta o líder contar histórias. Aprende a ser ativo com sua mão direita e passivo com a esquerda ao mesmo tempo. Fica ao mesmo tempo focado e relaxado”.

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